4 de janeiro de 2007
o seu nome? não sei. penso que nem ela o sabia. conheci-a uma vez. pensei que ser feliz. falei com ela pouco tempo depois. todo aquele sorrir, cantar e falar imparavelmente eram apenas uma fachada envolvendo uma tristeza e falta de amor imensas. não tinha com quem falar. penso que fui uma ajuda. na realidade, espero ter sido uma ajuda. não era nada do que os outros esperavam que fosse, fingia apenas. aquele muro que a envolvia era um fardo cada vez mais pesado. e cada nova pedra distanciava-a mais do seu verdadeiro eu. sentia o muro cair, as força começavam a faltar-lhe. desiludia aqueles que a rodeavam. os seus resultados eram cada vez mais insatisfatórios, as suas respostas mais violentas, a sua vontade de fazer o que quer que fosse diminuía. não tinha vontade de viver. e tinha a sua razão. para quê viver se tudo aquilo que queria fazer só lhe seria permitido depois de matar a sua cabeça com estudos e tarefas desnecessárias. tinham lhe dito que estudar a ajudava, que lhe proporcionava um futuro melhor, um emprego, dinheiro, estabilidade, em suma, felicidade. mas como poderia isso dar-lhe felicidade? na sua opinião a felicidade era poder passar o tempo com os amigos, experimentar novas sensações, ler, escrever, ouvir musica. e a única conclusão a que chegava era que perdia o seu tempo agora a estudar, para um dia ter um emprego bom que lhe iria ocupar a vida, juntamente com a família que supostamente iria formar, até chegar as 65 anos, já velha, enrugada e sem energia e teria a disponibilidade que quisesse para fazer o que quisesse, mas que por merda dos acasos já não se sentia capaz. e ninguém a convencia do contrário. diziam-lhe que os adultos eram felizes. felizes, uma ova. FELICIDADE não existia. pelo menos para quem não nasceu num berço de ouro. e que não lhe dissessem que o dinheiro não contribuía para ela, porque isso era apenas uma desculpa para aqueles que tinham a puta da vida de pobres se sentirem melhor. para ela era irreal. o seu incentivo era nulo. diziam-lhe que ela era o futuro, ela e os jovens que a rodeavam. e a questão era, para que vivia ela? para um futuro governado por jovens viciados em novelas sem conteúdo, em musicas de prostitutas, que não liam nada (para alem de revistas de fofocas e jornais de desporto) e que não se interessavam pelo que quer que fosse minimamente artístico. e tudo isto incitados adultos com os mesmos hábitos. quem governava naquela altura o mundo? eram adultos, aqueles adultos a que chamam felizes, aqueles adultos com um bom emprego, com uma família formada, com estudos. e como estava o mundo? todos os dias noticias de guerra em nome de religiões que deveriam ser pacificas, crimes, bisbilhotices, traições, negócios obscuros, alertas globais sobre um ambiente destruído por os humanos. ERA ESSE O INCENTIVO QUE LHE DAVAM?!!! ERA PARA ISSO QUE QUERIAM QUE ELA CRESCESSE?!!! PARA UM MUNDO DESTRUIDO PELOS OUTROS?!!! QUERIAM QUE O MELHORASSE? PARA QUÊ? PARA PASSAR A VIDA NISSO? PARA DEPOIS MORRER? E NÃO O APROVEITAR? fodam-se… NÃO!!! NÃO!!! não é aí que quero passar a minha vida. não é assim que quero ser feliz. a mim não me tapam os olhos. porque uma vez que são todos ignorantes, burros, estúpidos e decadentes… eu oiço-me a mim própria e sei que não vou quebrar. não me vou esforçar, não por aquilo que me prometem. NÃO!!!
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2 comentários:
Não faças o que te pedem porque tens que o fazer...
Faz porque o queres, e não porque tens que. :D
p.s. não gosto deste novo "tema" de blog |:
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