29 de agosto de 2008

Está no peitoril da janela. Não é uma qualquer bugiganga, nem tão pouco uma ave. Muito menos algo tão convencional como uma flor. Não, é uma pessoa. Uma rapariga silenciosa que fita com os olhos apáticos a paisagem que a rodeia. Não está feliz nem triste. Sente-se num limbo de sentimentos. Está, simplesmente, indiferente ao que apela. Observa o céu cinzento e sente-se como ele. Como se a sua massa encefálica não passasse de meras nuvens negras.
O peitoril de mármore não é, para ela, mais do que a proximidade do abismo. A metáfora é irónica e isso diverte-a. O primeiro sinal de vida: o gozo de saber a morte tão perto do fim e poder controlá-la. Pensa em como seria a sensação de se deixar tombar para o lado errado (ou certo...) e deseja-o. Tem tendências suicidas, pensam. Talvez seja verdade. Para sim é apenas curiosidade.

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