23 de agosto de 2008

Oito horas da noite em pleno Agosto. A costa marítima começa a esvaziar do fervilhar incansavél de seres humanos. Os pára-sóis desaparecem do extenso areal e sacodem-se as toalhas. Todos se dirigem para a marginal, entrando nos seus carros e afastando-se do mar. Na praia restam apenas os arrumadores das cadeiras alugadas e das gaivotas a pedal, os salva-vidas e uns poucos trausentes. Eu, fico para o fim. Gosto de ver a praia a esvaziar, de ver tudo voltar ao que era antes. Gosto de como o som do mar retorna gradualmente aos meus ouvidos: o suave bater das ondas na areia. Ficar a observar, com os pés na linha de espuma, o pôr-do-sol e as cores que a água toma: o cinzento unido ao rosa à minha esquerda e o mesmo cinzento em sintonia com o laranja fogo do sol à minha direita. Cores que são o reflexo do céu e que fazem o mar brilhar.
Gosto de me baixar para apanhar as conchas que dão à costa e de observar as bóias que sinalizam as redes dos pescadores.
Não dura mais de quinze minutos todo o processo, mas tem uma beleza única todos os dias.
Depois, quando começa a escurecer, retomo o passadiço de madeira e passo por entre as gaivotas que pousam no areal em busca dos restos deixados pelos humanos.

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