
Abre a porta e perscruta o corredor levemente iluminado pela luz fria dos candeeiros lá fora.
Encontra o silêncio.
Num dos quartos o contraste do respirar forte e fraco de um casal e, noutro, a luz ténue de uma lâmpada acesa para alguém já há muito adormecido.
Apaga a luz.
Prossegue por sobre o soalho, com as suas pantufas imitando cães.
Adora as pantufas.
Uma madeira estala abaixo de si e pára muda. Procura qualquer ruído que evidencie alguém acordado. Mas a casa mantêm um sossego inabalável.
Continua.
Desce as escadas de mármore e é recebida pelas milhares de cores que iluminam a árvore que há tantos anos tenta decifrar. Ao fundo da sala o presépio – outro mistério.
Ou apenas estupidez(?).
Para quê tanto alarido à volta de algo imaginário. Recorda a ida dessa tarde ao centro comercial, o alvoroço da multidão, o entra e sai das lojas, o nervosismo que tinha por único objectivo a felicidade incerta. Para ela é simplesmente inaceitável. Não que não goste dos presentes!
Quem não gosta?
No entanto acha fútil a quadra. Mas para quê tentar explicar? Mas para quê, sequer, tentar compreender?
Põe o cd na aparelhagem, coloca a maior cavaca, que encontra no cesto de vime, dentro da lareira e senta-se no cadeirão mais próximo desta, enquanto se deixa tranquilizar pelo crepitar da madeira e pela voz rouca e quente de Louis Armstrong. É nestes momentos, à noite, que gosta de chamar lar ao lugar onde vive.
Põe o cd na aparelhagem, coloca a maior cavaca, que encontra no cesto de vime, dentro da lareira e senta-se no cadeirão mais próximo desta, enquanto se deixa tranquilizar pelo crepitar da madeira e pela voz rouca e quente de Louis Armstrong. É nestes momentos, à noite, que gosta de chamar lar ao lugar onde vive.
Pensa. Pensa. Talvez de mais.
E acaba por adormecer, embalada pelo calor, pelas lembranças felizes e pelo já longínquo som de um blues jazz eterno.
À noite.
1 comentário:
Que cena linda (:
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