24 de julho de 2008

Lançou a carta para o centro da mesa. O Ás de paus fitava altivo os outros jogadores. Ganhou a jogada e recolheu as notas e o relógio Rolex Cellini. Levantou-se e empurrou a cadeira. Acendeu um charuto Partagas e despediu-se. Os outros continuavam a olhá-lo com o mesmo ar surpreendido com que haviam observado a carta. Sentiam-se enganados e rebaixados. Ele levara-lhes simplesmente a melhor. E saíra sem sequer pestanejar.
Demoraram minutos a recomporem-se e abandonaram por completo o jogo. Arrumaram o baralho e deixaram a sala em silêncio. Cada um se dirigiu a sua casa por as diferentes ruas desertas de Trinidad. Ao entrarem no aconchego das suas casa não sentiram nada mais do que frio e horror.
Nunca mais lá voltaram ou falaram disso. Como se nunca se tivesse passado tentaram esquecer a face do misterioso homem. Mas era impossível. Ele havia feito o que nenhum outro ousara. Vencera-os. Foi a memória que mais os atormentou ao longo da vida e foi o último pensamento no leito de morte de cada um.

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