Estás a vê-lo entrar deslizante pela janela? Pelas frinchas da porta? Pelas tomadas da electricidade?
Consegues observá-lo escorregar pelas paredes? Rastejar pelo soalho? Envolver-te num manto de raiva e horror?
Sente-lo penetrar o teu corpo em cada poro? Em cada orifício do teu organismo?
É escuro, negro! É abafado, asfixiante! E corrói!
Começas a ter dificuldade em moveres-te. Cais sobre os joelhos. Sobre o chão.
O teu pescoço enfraquece. Os braços tornam-se rígidos. As mãos paralisam. E as pernas entorpecem.
Dentro o coração pára. Os pulmões sufocam. O estômago congestiona. O fígado ameaça explodir. E os rins contraem-se. O cérebro começa a confundir sensações e pensamentos, emoções e sentimentos.
Vês a tua vida em segundos, mas a impressão da morte dura horas!
Confundes-te. Não sabes como agir: se te deixar levar, se combatê-lo. Queres gritar, mas a tua cabeça não suportaria o som e já se te acabou o folgo.
Na tua garganta forma-se um nó de remorso, angústia, medo, ignorância e tumulto. As lágrimas afloram-te aos olhos e deslizam pela face, passam a cova lateral do nariz, banham os teus lábios e entram, salgadas, na tua boca.
Começas a transpirar, a arder em febre.
Sentes uma dor lacerante precorrer-te em espasmos e...
Consegues observá-lo escorregar pelas paredes? Rastejar pelo soalho? Envolver-te num manto de raiva e horror?
Sente-lo penetrar o teu corpo em cada poro? Em cada orifício do teu organismo?
É escuro, negro! É abafado, asfixiante! E corrói!
Começas a ter dificuldade em moveres-te. Cais sobre os joelhos. Sobre o chão.
O teu pescoço enfraquece. Os braços tornam-se rígidos. As mãos paralisam. E as pernas entorpecem.
Dentro o coração pára. Os pulmões sufocam. O estômago congestiona. O fígado ameaça explodir. E os rins contraem-se. O cérebro começa a confundir sensações e pensamentos, emoções e sentimentos.
Vês a tua vida em segundos, mas a impressão da morte dura horas!
Confundes-te. Não sabes como agir: se te deixar levar, se combatê-lo. Queres gritar, mas a tua cabeça não suportaria o som e já se te acabou o folgo.
Na tua garganta forma-se um nó de remorso, angústia, medo, ignorância e tumulto. As lágrimas afloram-te aos olhos e deslizam pela face, passam a cova lateral do nariz, banham os teus lábios e entram, salgadas, na tua boca.
Começas a transpirar, a arder em febre.
Sentes uma dor lacerante precorrer-te em espasmos e...
2 comentários:
morte certa.
aí está o que nos distingue. a maneira de ver um dia. as situações. tudo. a nossa visão sobre as coisas é diferente, e, portanto, a maneira como as vivemos também se modifica.
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