21 de julho de 2008

Sento-me à janela só para ver as pessoas passarem.
Faça chuva.
Sol...

Vêm sozinhas.
Aos pares.
Em grupos...
Passam pais e filhos.
Namorados.
Casais.
Amigos.
Velhos solitários...
De todas as idades.
Tamanhos.
Raças...
Vão felizes.
Tristes...
Correm.
Pulam.
Andam.
Arrastam-se.
Patinam...
Cantam.
Balbuciam.
Resmungam.
Gritam.
Conversam...
Ou simplesmente mantêm-se em silêncios pensativos.
Por vezes uma escorrega e cai.
Ninguém a ajuda.
No mundo é cada um por si.
Outras vezes detêm-se a observar algo no chão.
Mais raramente, encontram alguém conhecido e param por momentos se tiverem tempo.
Se não, ignoram simplesmente.
Os mais jovens, esses, quando vêm em grupos, param por nenhum motivo.
Sentam-se no chão.
Cantam desafinadamente.
Bricam com qualquer coisa que venha à mão...
Se passam sozinhos nem sequer olham para os lados.
Os mais velhos andam pausadamente e param constantemente.
Pousam os pesados sacos de compras.
Respiram fundo.
Retomam o caminho que é mais longo com o passar dos anos.
Invejam os novos que vêm passar.
Têm pena dos de meia-idade que, stressados, desperdiçam vidas...




E eu mantenho-me à janela a observá-los enquanto vivem.
Cobiçando um pouco do que têm.
E odiando-os...

1 comentário:

Tits and Acid disse...

Experimenta tu ser observada. Saires, parares por qualquer coisa, ou simplesmente não parares, sempre rumo ao teu objectivo. Deixa de ver a vida dos outros passar, vive a tua, faz com que outros a invejem e não tu.