
Criaste a ilusão de viver em algodão doce, mas agora começas a enjoar. E tentas, infrutiferamente, libertar-te. Não consegues porque tanto açúcar começa a formar mel e vês-te envolvida numa teia pegajosa e um tanto ácida. Duvídas que possas escapar, e começas a desejar querer ficar. Mas sentes tudo aquilo que comeste ao longo da vida aflorar à garganta. Tentas quebrar as barreiras que estão já saturadas da tua persistência e delicias-te com o sabor da liberdade a um último esforço de distância. Basta ingerires um pouco mais de doce. Acabas sozinha, morta no meio da delícia ou retornas ao mundo amargo. Sabes, porém, que não consegues mais o excesso de doçura.
1 comentário:
"infrutiferamente" não consegui ler para além desta palavra, o meu cérebro entrou em coma.
Belo texto.
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